CFM · Product Design · Discovery · 2025
Do NPS à prototipação: discovery completo para levar a prescrição eletrônica do CFM ao bolso de 700 mil+ médicos.
- Papel
- Product Designer · Discovery Lead
- Responsabilidades
- Condução do discovery de ponta a ponta
- Pesquisa qualitativa com médicos
- Definição de problema, KPIs e requisitos
- Mapeamento de fluxos e wireframes
- Alinhamento contínuo com stakeholders
- Ferramentas
- Miro para discovery colaborativo
- Microsoft Clarity para análise de uso
- Figma para wireframes
- Entrevistas em vídeo (semiestruturadas)
- Time
- Eu como Product Designer
- Stakeholders do CFM
- Time de produto e tecnologia
- Entregáveis
- Board de discovery completo
- Protocolo e roteiro de entrevistas
- Síntese de problema, público e KPIs
- Mapa de fluxos do app
- Wireframes de alta fidelidade
- Direcionamento técnico (Flutter + Material 3)
Prescrever com agilidade, onde o médico estiver
Facilitando o dia a dia dos médicos, do insight de dados à arquitetura de um app nativo em beta.

Como tudo começou
O Conselho Federal de Medicina já opera uma das maiores plataformas de prescrição eletrônica do Brasil, utilizada por centenas de milhares de médicos todos os dias. Mas nos últimos anos, pesquisas de NPS revelaram um padrão claro nos comentários em texto livre: a demanda recorrente por um aplicativo dedicado.
Fui chamado para conduzir o discovery de ponta a ponta, em alinhamento direto com stakeholders, e transformar essa demanda em direção de produto. O resultado é um app nativo em beta testes, com potencial de impactar mais de 700 mil médicos.
A pergunta não era se deveríamos criar um app. Os médicos já estavam pedindo. A pergunta era: o que exatamente ele precisava resolver, e como provar isso antes de escrever uma linha de código?
O desafio
A prescrição eletrônica do CFM funciona. Médicos emitem receitas, atestados e exames diariamente. O problema está na experiência fora do computador: sem um app nativo, a mobilidade, essencial na rotina médica, fica comprometida.
Nas entrevistas e nos comentários de NPS, três temas se repetiram: o processo é trabalhoso, depende demais do desktop e deveria existir um aplicativo para simplificar.
Dores que emergiram do discovery
- Limitação de recursos no celular por não ser aplicação nativa
- Muitos cliques e navegação pouco fluida para chegar ao objetivo
- Dependência do computador em momentos em que o médico está em movimento
- Interface pouco intuitiva para o contexto mobile
"O processo é muito trabalhoso. Deveria ter um aplicativo pra simplificar."
"Muito trabalhoso depender do computador." Relato recorrente entre os médicos entrevistados.
Os dados confirmaram o instinto
Antes de aprofundar nas entrevistas, cruzei Google Analytics e Microsoft Clarity para entender como os médicos já usavam a plataforma web no mobile (período 10/12 a 06/01). O cenário foi inequívoco: as funcionalidades mais utilizadas no mobile ultrapassavam o uso por usuários únicos em comparação com o desktop.
Uma funcionalidade específica chamou atenção: o uso expressivo de "Copiar documento" pelo celular, especialmente para receitas de controle especial.
189.299
visualizações em /copy
35.637
usuários ativos

Mobilidade é a palavra. Os dados esclareceram a necessidade de um aplicativo focado nisso. Ficou claro que existe um enorme potencial a ser explorado.
Entendendo o mercado
Mapeei soluções concorrentes e identifiquei uma lacuna clara: poucas oferecem um aplicativo mobile robusto e eficiente para prescrição eletrônica. Essa lacuna representa uma oportunidade real de o CFM se destacar entre os médicos com um produto nativo, completo e alinhado à rotina clínica.
O que o mercado oferece e o CFM ainda não tinha
- Integração com prontuário eletrônico
- Envio direto para farmácias
- Automação de modelos de prescrição
- Personalização e renovação automática de receitas
- Suporte multiusuário para equipes
Ouvindo os médicos de perto
Com evidências quantitativas em mãos, estruturei uma pesquisa em duas frentes, quantitativa e qualitativa, guiada por três perguntas centrais que orientaram todo o processo.
Questões que guiaram o discovery
01. Contexto de uso
- Em quais contextos os médicos mais utilizariam o app?
- Entender o melhor cenário de uso para o aplicativo
02. Dores e melhorias
- O que mais incomoda na plataforma atual?
- Quais oportunidades de melhoria existem?
03. Acessibilidade
- Qual a porcentagem de médicos idosos ou com deficiência que acessariam o app?
- Garantir inclusão desde o início
Pesquisa quantitativa
Duas pesquisas em escala complementaram o discovery: uma sobre perfil de usuários (8.683 médicos) e outra sobre tempo de assinatura digital (49.531 médicos). Os números ajudaram a calibrar decisões de interface, da faixa etária predominante ao tempo padrão de assinatura digital.
38,3%
têm entre 31 e 40 anos
52,1%
sexo feminino
4,2%
com leve deficiência visual
8.683
médicos na pesquisa de perfil
52,7%
usam assinatura por 12h
60,9%
usam assinatura por 4h
49.531
médicos respondentes
Pesquisa qualitativa
Conduzi 7 entrevistas em vídeo com médicos de perfis diversos: 5 homens e 2 mulheres, de 26 a 66 anos, com especialidades que vão de psiquiatria e nefrologia a clínica geral e ginecologia. O protocolo semiestruturado, com moderador e observador, garantiu profundidade sem perder consistência.
O que os médicos nos contaram
- O celular é amplamente utilizado fora do consultório, especialmente em emergências
- Todos se autenticam com certificado digital; alguns nem sabem a senha
- Todos ativam a assinatura digital por 12 horas
- Fazem bastante uso de modelos de documentos e da função copiar
- A Prescrição do CFM é a ferramenta principal, mas precisam de alternativa quando há indisponibilidade
- Sentem falta de integração com prontuário e sistemas de agendamento
Desejos mencionados nas entrevistas
- Histórico do paciente: visualizar evoluções médicas e medicamentosas diretamente no app
- Informações rápidas na listagem: dosagens e exames sem abrir cada documento
- Documentos adicionais: tipo específico para encaminhamentos
- Prescrição personalizada: receitas com datas antecipadas para tratamentos prolongados
- Organização centralizada: gerenciar documentos por paciente e assinar múltiplos itens de uma vez
Da fricção ao fluxo
Com problema, dados e voz do usuário consolidados, mapeei o fluxo atual que o médico precisava percorrer na plataforma web e redesenhei a jornada para o app, com menos etapas, menos atrito e caminhos mais diretos para as tarefas mais frequentes.


Arquitetura da informação
Traduzi os fluxos em esboços de arquitetura da informação para as telas centrais (home e página do paciente) antes de avançar para alta fidelidade. A home foi pensada como hub da rotina médica; a página do paciente, como ponto de partida para prescrição e histórico.



Decisões-chave na home
- Login somente por certificado digital, padrão de segurança validado nas entrevistas
- Ativação de assinatura digital com tempo padrão de 12h, alinhado ao hábito de 52,7% dos médicos
- Busca ou cadastro de paciente como porta de entrada para prescrição
- Próximas consultas integradas com agenda do celular
- Filtros rápidos para documentos já emitidos (receitas, atestados, exames)
- Atalhos para serviços do portal CFM (ética médica, CRM Virtual, certidões)
- Navegação inferior: home, busca global e todas as funcionalidades
Protótipo em alta fidelidade
Com a arquitetura validada, evoluí para wireframes e protótipos de alta fidelidade nos fluxos críticos: home, página do paciente, criação de receita e emissão de documentos. Cada tela foi revisada com stakeholders antes do handoff para desenvolvimento.







Como medir o sucesso
Defini, com stakeholders, os KPIs que acompanhariam o app após o lançamento, combinando métricas de produto com satisfação do usuário.
- Quantidade de documentos criados
- Relação entre acessos e tarefas realizadas
- Tempo de realização por tarefa
- Pesquisa de satisfação contínua
Decisão técnica
Em alinhamento com stakeholders, definimos Flutter como stack de desenvolvimento, framework cross-platform do Google com performance nativa e integração direta com Material Design 3. A escolha equilibrou velocidade de entrega (Android + iOS com um código) com consistência visual.
Indo além: visão de SuperApp
O discovery também abriu espaço para uma visão de longo prazo: um SuperApp modular do CFM, onde o médico teria na palma da mão prescrição eletrônica, portal de serviços, ética médica, fiscalização e benefícios, com módulos independentes integrados via APIs e personalizados por perfil (médico, conselheiro, diretor técnico).
Essa visão não entrou no escopo imediato, mas orientou a arquitetura modular do app para escalar sem refatoração.
Resultado
O app está em fase de beta testes, validado com médicos reais antes do lançamento em escala. O discovery entregou mais que wireframes: evidência, direção e consenso entre design, produto e engenharia.
700 mil+
médicos no escopo
7
entrevistas qualitativas
49.531
médicos na pesquisa quantitativa
Aprendizados
Quando centenas de milhares de pessoas já usam seu produto, o discovery não parte do zero. Parte de escutar o que elas já estão tentando te dizer. Os comentários de NPS, os dados de analytics e as entrevistas contaram a mesma história por caminhos diferentes.
Mobilidade e simplicidade não foram features que inventamos. Foram necessidades que os médicos repetiram até virarem evidência. Meu papel foi conectar esses sinais, traduzi-los em decisões de produto e construir o caso para stakeholders agirem.
Em saúde, cada clique a menos na emissão de uma prescrição é tempo devolvido ao paciente. Esse é o futuro que este app representa.

